O Filho da Viúva


21/03/2014


Importante esclarecer

A Maçonaria é uma instituição tradicional, cujas origens se perpetuam nas brumas do passado e até para os próprios membros é motivo de calorosos debates e profundos estudos. Não temos nos registros históricos um "momento de fundação", mas, temos registros da constituição da primeira Associação (ou, como chamamos, "Potência") Maçônica: a atual Grande Loja Unida da Inglaterra. A partir desta, cada Potência Maçônica só é reconhecida como tal através de tratados internacionais de Reconhecimento e do atendimento a Princípios Fundamentais que garantem Regularidade.

No Brasil, a primeira e mais antiga das Potências Maçônicas é o atual GOB - Grande Oriente do Brasil, Potência Central que abriga Potências Estaduais - os "Grandes Orientes Estaduais". Em 1927, através de uma cisão histórica, Lojas Maçônicas que saíram do GOB originaram as Grandes Lojas, que hoje se associam na Confederação Maçônica Simbólica Brasileira (CMSB). Em 1973, atravós de outra cisão histórica no GOB, fundaram-se os Grandes Orientes Independentes, associados na Confederação Maçônica do Brasil (COMAB).

Este espaço não se destina à discussão dos conceitos de Regularidade e Reconhecimento, mas, a deixar clara uma afirmação: o termo "maçonaria" é de domínio público, mas, nem tudo que se diz "maçonaria" o é verdadeiramente. Também não pretendemos dizer que só é "maçom" quem faz parte das três Associações Maçônicas acima, pois existem associações que fazem trabalho sério baseado na filosofia maçônica, mas, seja por vício de origem seja por não atenderem plenamente às Antigas Tradições, seus membros NÃO SÃO ADMITIDOS NEM COMO VISITANTES NO GOB, NA CMSB, NA COMAB e nos Grandes Orientes e Grandes Lojas espalhados pelo mundo.

Importante lembrar que NENHUMA DAS TRÊS ASSOCIAÇÕES MAÇÔNICAS, acima, ACEITA MEMBROS PELA INTERNET. Se você recebeu algum convite para preencher um cadastro online, pagar uma taxa em algum banco e marcar sua admissão, ou para assistir palestras públicas em Associações que se dizem maçônicas mas não fazem parte do GOB, da CMSB ou da COMAB, saiba que pelas três você não será considerado, sem juízo de valor sobre suas qualidades como pessoa ou cidadão, um verdadeiro Maçom.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h59
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15/05/2013


Maçonaria no Cinema e na Literatura

O Homem que Queria Ser Rei

Geralmente, quando a Maçonaria aparece no cinema ou na ficção é besteira, bullshit e desinformação.  Recentemente tivemos os livros e filmes do Dan Brown, em outros filmes (Liga dos Homens Extraordinários, Mad Max, Magnólia, National Teasure) onde aparecemos protegendo Jack o Estripador (From Hell) e outros .

Ir.´. Rudyard Kipling

Mas existem exceções que confirmam a regra e uma delas é o conto de nosso irmão Rudyard Kipling, O Homem que Queria ser Rei, levado às telas em 1975 pelo Irmão John Huston, tendo no papel principal o Irmão Sean Connery.

Um filme de aventuras  recheado de espetáculo, humor, diversão e conteúdo maçônico estrelado pelo Ir.´. Sean ConneryMichael Caine, Christopher Plummer.

Plummer faz o papel de Kipling que é o narrador da história.  Sean e Michael são dois soldados ingleses, ambos maçons, que resolvem sair pelo mundo para fazer fortuna no Kafiristão, um país hipotético perdido nas montanhas do Afeganistão.

Tirando alguns traços da personalidade da personagem Daniel Dravot (Sean Connery) que não são muito edificantes para um maçom, o filme inteiro é ponteado com simbologia, palavreado, diálogos e atitudes maçônicas de alto nível.

Michael Caine

Os dois soldados salvam a vida de alguns habitantes de uma aldeia e passam a treinar os homens para a guerra.

Brother Sean Connery

No meio de uma batalha, Dravot é atingido por uma flecha que, ao invés de mata-lo, é aparada por uma correia de couro sob suas roupas, dando a

Christopher Plummer

impressão de que ele á imortal.

Dravot usava também no pescoço um berloque maçônico com o esquadro e compasso. Eles ignoravam, mas Alexandre magno havia passado pelo Kafiristão, onde fora endeusado e havia deixado símbolos maçônicos.

Quando os nativos descobrem o berloque maçônico com Dravot, eles mostram uma antiga inscrição de um símbolo maçônico em um monumento e passam a considera-lo como o Alexandre redivivo.

Não vou contar a história toda, para não estragar o prazer de assistir ao filme.  Ele está disponível à venda na Amazon.com sem legendas em português, mas mesmo assim vale a pena.

Para os libertários como eu, ele também existe à disposição na Internet, inclusive com legendas em português.

Berloque maçônico que Dravot usava

O filme é raro atualmente, por isso resolvi traduzir o conto original (será uma tradução rápida, sem compromisso com a arte) e vou publicá-lo aqui em nossa revista, para aqueles que não tiverem a oportunidade de ver o filme.

Mesmo aqueles que viram ou vierem a assistir ao filme poderão ler o conto que geralmente é um pouco diferente da linguagem cinematográfica.

Mas, para aqueles que virem o filme, tenho a certeza de que se emocionarão intensamente com o final do filme que consegue condensar o verdadeiro espírito maçônico da fraternidade.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h05
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Maçonaria, uma opinião de peso…

Lauro Fabiano de Souza Carvalho M.´. I .´.

Encontro-me entre dois especialistas em Maçonaria, reconhecendo-os como tal pelas suas histórias e pelos seus estudos. No entanto, buscarei com minha exposição exercer o papel não de especialista, mas, de filósofo. Para cumprir tal intento, trabalharei com conceitos e buscarei, incessantemente, mostrar que a maçonaria produz a névoa com a qual obscurece a missão que se propõe a cumprir.

Assim,  procurarei desconstruir os conceitos que temos sobre nossa Instituição, ou seja, para dizer o que é a maçonaria, ater-me-ei a dizer o que ela não é, ficando a cada um a missão de aceitar ou não as colocações que proponho.

Baseio-me na legislação do GOB, o qual, por motivos óbvios, é acompanhado de perto pela  legislação da GLMESP.

Em primeiro lugar, declaramo-nos uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Analisemos esses pontos. A maçonaria pode ser considerada iniciática, pois o ingresso do maçom se dá por drama iniciático. Mas, e sempre existe um “mas”, como qualquer outra instituição iniciática onde não existam provas prévias para o ingresso, o valor que a Iniciação terá sobre o Iniciado não é realmente avaliado, senão através de trabalhos e questionamentos feitos por Iniciados igualmente não provados. Fosse a Maçonaria uma instituição realmente iniciática, seu número de membros seria muito menor e sua fragmentação idem.

Qual o sentido de se declarar uma instituição “iniciática”? O termo “iniciação” provém dos antigos mistérios da antiguidade, marcando mudança de estágio na experiência e na expressão humana. Desde sempre o objetivo da iniciação era divino, ou seja, a mudança que era pretendida se manifestava no plano religioso, o retorno a um estado primevo o qual marcaria uma profunda reorientação para algum tipo de estado transcendental, diferente do estado pré-iniciação.

O que constatamos, no entanto, é que a maioria – senão todos nós – saiu da Cerimônia de Iniciação com a missão de nos modificarmos ao longo de meses para a justificarmos – a posteriori – geralmente quando estamos pleiteando aumento de salário para o Grau de Companheiro.  Ao longo do tempo, então, a Maçonaria traz certa confusão não com o termo “iniciação”, mas, com seu conceito. Achamos que somos “iniciados”. Dizemos que somos “iniciados”. Explicamos ser “iniciados”. No entanto, consideraria um verdadeiro milagre se, na noite de hoje, houver apenas um verdadeiro “iniciado” neste auditório.  Alguém que tenha modificado sua existência de forma intensa e passado a viver conforme novas perspectivas, sem questionar suas validações, apenas pelo fato de ter se confrontado com os símbolos e ensinamentos da Cerimônia. Chega à inevitável pergunta-conclusão: “é possível, nos dias de hoje, a Iniciação”? Ou apenas participamos do drama iniciático?

Outra colocação é a Maçonaria ser uma instituição filosófica, o que só pode ter nuance de realidade se considerar pelo prisma mais pueril do termo “filosofia”, pois em nenhum momento da trajetória maçônica se trabalha o fundamental do pensamento filosófico, qual seja o estabelecimento de conceitos. Diz-nos Aristóteles que “o homem tende, por natureza, ao saber”[1] e, com isso, manifesta que podemos obter a sabedoria como direito, não sendo a mesma patrimônio de eleitos ou de poucos. Mas, para consegui-la, é necessário que trabalhemos sem timidez para sua busca e organização, comprometendo-se o buscador a investigar a metafísica, o juízo e a crítica sobre o saber. Nenhuma corrente filosófica é estudada na obra maçônica. Confundem os rituais aos Maçons quando estes aprendem que a filosofia, tão somente, é a “amizade à sabedoria”, não indicando o caminho, árduo e importante, através do qual o pensamento filosófico pode se constituir.

Progressista. Aqui também temos problemas. Como definir o que é progresso? Ou melhor, tem a maçonaria uma definição para o quê seja progresso? Este progresso é o material? Humano? Nos costumes? Na ética? Na luta pela correta administração do espaço público? Empregamos o sentido grego antigo – o progresso é o avanço do homem na sabedoria? Ou empregamos o sentido de Francis Bacon, que no Novum Organum, em 1620, definiu o progresso como o aperfeiçoamento crescente dos acontecimentos históricos – veritas filia temporis, a verdade é filha do tempo? Empregaríamos ainda o sentido positivista, de o progresso ser o desenvolvimento da ordem das coisas, uma diretiva que também rege a vida inorgânica e os animais? Ou o sentido romântico de Fichte no qual o progresso é a impossibilidade de algo se manifestar de forma diferente da qual se manifesta? Há a possibilidade, após os recentes campos de concentração na Segunda Guerra Mundial, os atentados terroristas separatistas e religiosos ou a invasão do Iraque, em se enxergar progresso na manifestação humana? É esperança ou empenho moral?

Vamos ao próximo problema. Evolucionista. Existem duas definições para “teoria da evolução”: a primeira, biológica, na transformação das espécies vivas. A segunda, metafísica, no desenvolvimento da humanidade em sua expressão universal. O termo “evolução” surgiu por Spencer em 1857, mas ficou difundido a partir de Darwin em 1859, com sua obra “Origem das Espécies”. No entanto, o sentido nasceu na Grécia Antiga com o conceito de “substância” por Aristóteles. E desde então, referia-se à questão da criação divina, ou seja, se as formas substanciais das coisas existentes poderiam ser diferentes ou se poderiam se extinguir, uma vez que eram manifestações da divindade. Com Darwin, a evolução passou a ser encarada como uma inexorável manifestação da seleção natural, sem casualidades ou arbitrariedades.

Na segunda definição para evolução, a experiência humana vem se consolidando como uma passagem do indistinto ao distinto. Ou seja, é o desenvolvimento psíquico da consciência do mundo sobre suas manifestações. Estamos em 2006, século XXI. Não faz muito mais de 100 anos que na Inglaterra, então potência comercial e industrial, crianças entre cinco e sete anos de idade eram vendidas para empresas que limpavam chaminés. Não faz muito mais de 60 anos que o mundo descobriu as atrocidades dos campos de concentração nazistas. Não faz muito mais de seis anos que o choque cultural destruiu as torres gêmeas do World Trade Center. Poderíamos nos perguntar se os pais das crianças vendidas há 100 anos são substancialmente diferentes dos pais que não sentem problema com a barbárie contemporânea se a mesma não lhe bata à porta. Em substância, não são. Em consciência sobre humanidade, talvez também não o sejam.

Então, pergunto: sob qual prisma a maçonaria, pode se considerar uma Instituição que proclama a evolução? Como tem ela conduzido o debate entre seus membros para ao menos definir o que pensamos sobre evolução?

Preconiza a Ordem Maçônica que seus fins supremos são a LIBERDADE, a IGUALDADE e a FRATERNIDADE. Destaque-se que existe um conflito entre estes fins coexistirem simultaneamente. Vamos, contudo, partir de uma confrontação simples: a igualdade na maçonaria é absolutamente ilusória. Dizemos que todos ao serem iniciados são “maçons” e iguais, a despeito de suas distinções ditas “profanas”. No entanto, isso é uma condição para igualar em ponto de partida para novas distinções, as maçônicas, as quais, em pleno conflito com os regulamentos, não se manifestam através de serviços prestados à própria ordem, à pátria ou à humanidade. Não é clara e nítida a diferença entre os ensinamentos simbólicos e a vivência administrativa na ordem, de forma que o Aprendiz Maçom é colocado em clara desvantagem em relação ao Mestre Maçom. No GOB, por exemplo, existem seis faixas distintas de tratamento, para um total de 46 categorias de funções distintas. Igualdade? A maçonaria, que é verdade, em nenhum momento se diz democrática ou republicana, apresenta uma aristocracia autoproclamada meritória que, aos olhos de observadores desinteressados, pode ser considerada, no mínimo, cafona. Achamos bonito chamar de “sapientíssimo”, “sereníssimo”, “poderoso”, “soberano”, “eminente”, “venerável”.  Achamos bonito ser chamados assim.

Neste ponto poderíamos confrontar “tradição” com “progressista”. Nossa Ordem se baseia nos Landmarques e nas antigas obrigações.  A tradição diz que não pode ser modificado o que é tradicional. Cria-se uma balbúrdia com “usos e costumes”, os quais podem ter 100 ou um ano de “tradição” em uma Loja, pois após um candidato ser feito Aprendiz Maçom, não possui a liberdade de questionar uma tradição e, quando chega a Mestre, já está tão mergulhado na mesma que nem o faz.

Como conceituamos liberdade? Liberdade pode ser entendida de três maneiras: 1) autodeterminação ou autocausalidade, ou seja, ausência de condições ou limites para exercê-la; 2) necessidade metafísica de ordem, ou seja, o sujeito da liberdade não é o indivíduo, mas sim o Estado, o mundo, a divindade; 3) possibilidade ou escolha, ou seja, existe limitação e finitude. Na maçonaria, encontramos as três conceituações, dependendo do Rito ou dos maçons. Encontramos também a confusão entre liberdade e livre-arbítrio, pois este depende da maneira – dentre as três – que encaremos liberdade. É impossível livre-arbítrio quando a liberdade é entendida como autodeterminação, pois se existe arbítrio, existe escolha a partir de regras que me permitam decidir o que seria ou não melhor escolher. A liberdade como necessidade metafísica de ordem é a fundamentação do antiliberalismo moderno, ou seja, existe um poder acima do indivíduo que circunscreve um espaço onde a liberdade pode ser existida. A liberdade como possibilidade, esta sim que adota o livre-arbítrio como manifestação, é a maçônica por excelência. Assim, ser livre não é uma autodeterminação absoluta e sim quem possui, em determinado grau ou medida, determinadas possibilidades.

Contudo, como o maçom se comporta perante a liberdade? O poder de agir ou de não agir, independente dos resultados da ação ou da não-ação, mudou com o iluminismo, que assentou: somos livres para fazer quando temos o poder de fazer. Este poder de fazer assume a fisionomia não de apenas escolher entre possibilidades presentes, mas, de controlar as possibilidades futuras, ou seja, agir no presente para garantir a livre escolha amanhã. O que vemos na maçonaria? Exaltação do passado e gritaria com o presente. O futuro não está na nossa agenda, a não ser em questões pontuais como segurança, Amazônia. Não discutimos com seriedade nem mesmo a juventude. Não trabalhamos para nossa liberdade.

Neste momento, qualquer um de vocês poderia se manifestar: “Lauro, até agora não entendi o que o mantém na maçonaria.” Posso afirmar que, hoje, para mim, o valor da Maçonaria não está nos seus rituais apenas. Não está no famoso “mistério maçônico”. Não está na “Iniciação”. Não está nas bandeiras de sua história. Não está no passado dos construtores de catedrais, passado esse com o qual não temos mais nenhuma ligação após o final da Idade Média, principalmente após o fim dos períodos absolutistas renascentistas. Não está igualmente no império da razão preconizado pelo iluminismo.

Se ainda enxergo luz na maçonaria, esta está na Fraternidade. Mais especificamente, na amizade, termo que é muito deixado de lado nas nossas relações. Costuma-se travestir o sentido de Fraternidade com uma mistura que vai do tráfico de influências à permissividade do comportamento abusivo. Isso se nota pelo absurdo de proposições como “maçom vota em maçom”, ou pelo absurdo ainda maior de termos estruturas jurídicas e judiciárias especiais para julgarmos uns aos outros. Nossos rituais tecem loas aos deveres da fraternidade, mas, não aprofundam o sentimento da amizade. A amizade é uma virtude da mais necessária á vida, pois sem amizade, riquezas de qualquer tipo se esvaem de significado. A amizade deve ser distinta dos sentimentos de amor e benevolência. Você pode amar coisas inanimadas, mas não lhes pode ser amigo. Você pode ser benevolente de forma oculta, para desconhecidos. Mas a amizade é uma concórdia que não necessariamente repousa na harmonia, mas, no respeito e na admiração. A amizade pode ser confundida com o utilitarismo da relação que traz benefícios ou com o prazer que traz a companhia. Mas, quando cessa a utilidade e a presença, o que não é amizade falece. A amizade surge entre maçons quando os mesmos se preocupam com as mesmas coisas, participam solidariamente na busca dos mesmos objetivos, mesmo que com considerações divergentes quanto ao método.

A beleza da amizade repousa então, na busca do mesmo fim com a convivência no que é importante: o desenvolvimento dos meios para atingir tal fim. Desenvolvendo nossas atitudes e nossos pensamentos, aquilatando-os com a divergência, poderemos construir o mais belo dos Templos. Surge então o porquê de existirem os ritos e seus rituais: em torno de seus símbolos, trocamos nossas visões e vidas diferentes, exercitamos nossa liberdade e buscamos uma verdadeira igualdade. Todo o sentido da Maçonaria contemporânea, na minha consideração, existe tão somente pela busca da Fraternidade, da amizade entre os que querem apenas e tão somente, com buscas metafísicas e religiosas ou não, com plenitude do conhecimento ou com ignorância, com conservadorismo reacionário ou anarquia libertadora, escocista ou modernista, racional ou místico, corintiano ou são paulino – enfim, pela busca da amizade como busca ética, como possibilidade de engrandecimento, como reversão da desintegração da família não para o fortalecimento do modelo patriarcal, mas, para que a amizade extrapole o intimista espaço do lar e constitua uma nova política, reabilitando o espaço público e recriando a vida em comum como prática da virtude.


[1] Aristóteles, Metafísica.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h04
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Arquitetura Sagrada – Brasília

BRASÍLIA
CIDADE SAGRADA

José Antonio de Souza Filardo M.´. I.´.

Catedral de Brasília - Proj. Oscar Niemeyer (1958)

2007


“Existem mais coisas entre o céu e a terra, Horacio,
do que sonha a nossa vã filosofia.”
(William Shakespeare, Hamlet)

A primeira reação ao se ler ou ouvir este título é “lá vem outro idiota falar da profecia de Dom Bosco…”

Alega-se que este padre italiano, que, aliás, gostava muito de meninos e fundou os Colégios Salesianos, teria previsto o surgimento de uma “Terra da Promissão, fluente de leite e mel” entre os paralelos 15 e 20 da América do Sul.

Pois bem, esta profecia nada mais é que a prova do grau de informação que a Igreja tinha sobre os fatos do mundo. Dom Bosco nasceu em 1815, foi ordenado padre em 1841 e teve o famoso sonho em 1883.

Ora, já em 1809 defendia-se a criação de uma Nova Lisboa no interior do Brasil. Logo a seguir, nosso Irmão Hipólito José da Costa, em repetidos artigos de seu Correio Braziliense, reivindicava com veemência (a partir de 1813) “a interiorização da capital do Brasil, próximo às vertentes dos caudalosos rios que se dirigem para o norte, sul e nordeste“. E se não bastasse esta publicação de 1813, em 1822 é publicado o “Aditamento ao projeto de Constituição para fazê-lo aplicável ao reino do Brasil”, estipulando, logo no primeiro artigo, que “no centro do Brasil, entre as nascentes dos confluentes do Paraguai e Amazonas, fundar-se-á a capital desse Reino, com a denominação de Brasília”. Esta posição geográfica, paralelo 15, corresponde ao local onde, setenta anos mais tarde, o bom padre “sonhou e previu” que surgiria alguma coisa…

A constituição republicana de 1891 contém, expressamente, no seu art. 3o.: “Fica pertencente à União, no Planalto Central da República, uma zona de 14.000 km2, que será oportunamente demarcada, para nela estabelecer-se a futura Capital Federal”. Floriano Peixoto (segundo presidente da república) deu objetividade ao texto, constituiu a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil (1892), sob a chefia do geógrafo Luís Cruls, que apresentou substancioso relatório, delimitando, na mesma zona indicada por Varnhagen, uma área retangular que ficou conhecida como Retangulo Cruls.

Retângulo Cruls

Não resta a menor dúvida de que Dom Bosco, ou era leitor do Correio Braziliense, ou ávido leitor do arquivo sobre o Brasil nos porões do Vaticano…

A intenção lusitana expressa em 1809 estava ligada a uma visão geopolítica surpreendente para a época. Em um primeiro momento, naturalmente, havia a preocupação de afastar a capital do Reino de ataques marítimos, visto que a marinha era a grande arma, e já tivéramos episódios de sítio à capital, como no caso de invasões francesas e holandesas.

Mas, subjacente a esta intenção, nota-se aquilo que foi expresso pelo General Golbery do Couto e Silva em sua obra “Geopolítica do Brasil”:

“Resumindo em suas linhas gerais a grande idéia de manobra geopolítica para integração do território nacional, trata-se de:

    1. articular firmemente a base ecumênica de nossa projeção continental, ligando o Nordeste e o Sul ao núcleo central do país; ao mesmo passo que garantir a inviolabilidade da vasta extensão despovoada do interior pelo tamponamento eficaz das possíveis vias de penetração;
    2. impulsionar o avanço para noroeste da onda colonizadora, a partir da plataforma central, de modo a integrar a península centro-oeste no todo ecumênico brasileiro (para o que se combinarão o processo da mancha de azeite preconizado por Lyautey e o dos núcleos avançados atuando como pontos de condensação);
    3. inundar de civilização a Hiléia amazônica, a coberto dos nódulos fronteiriços, partindo de uma base avançada constituída no Centro-Oeste, em ação coordenada com a progressão E-O, segundo o eixo do grande rio.”

E assim foi que, em 09 de dezembro de 1955,o presidente da República em exercício, Nereu Ramos, através do decreto n.38.261 transformou a Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil, em Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal, da qual foi presidente, de maio a setembro de 1956, o doutor Ernesto Silva, que, a 19 de setembro, lançou o concurso nacional do Plano Piloto de Brasília.

Diversos projetos participaram deste concurso, que foi vencido pelo escritório de Lucio Costa com o projeto de plano piloto:

Projeto de Lucio Costa que venceu o concurso do Plano Piloto de Brasília

E surgia no meio do cerrado uma cidade novinha, pensada, desenhada e construída do zero…..

Antes de prosseguir, gostaria de fazer um parêntese, prestar uma homenagem e creditar a idéia deste trabalho ao Professor Inácio da Silva Telles que trinta anos atrás se referiu, certa vez, em aula, a Brasília, como uma cidade sagrada, sem contudo alongar-se na idéia, mas abrindo uma perspectiva absolutamente apaixonante de pesquisa.

E esta é a idéia que pretendo desenvolver neste trabalho é mostrar como a Cultura é preservada através de monumentos, mesmo diante de mudanças aparentes de foco de interesse da humanidade. Escolhemos, para isso, um tema ligado à civilização brasileira, para demonstrarmos que bem próximo de nós, também temos amostras deste processo.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h02
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(...)

Pois bem, no início do século XX, dois nascimentos importantes ocorreram :

Em 27 de Fevereiro de 1902 nascia em Toulouse, França, filho de pais brasileiros, Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa.

Este urbanista, com quatro sobrenomes cristãos-novos educou-se na Inglaterra e na Suíça até 1917 quando retornou ao Brasil onde cursou arquitetura.

Entusiasta do Bauhaus, amigo de Le Corbusier, a quem convidou a visitar o Brasil em 1936, foi professor de Oscar Nyemeier e parceiro de Gregory Warchavchik. Pioneiro do Modernismo, em 1957, ao ser lançado o concurso para a nova capital do país, enviou idéia para um anteprojeto, contrariando algumas normas do concurso. Desenvolveu, como urbanista, o Plano Piloto de Brasília, com Niemeyer, passou a ser conhecido em todo o mundo como autor de inúmeros prédios públicos.

Em 15 de Dezembro de 1907 nascia no Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares

Este arquiteto, de sobrenome cristão-novo e judeu, foi aluno de Lucio Costa com quem trabalhou em seu escritório de arquitetura na elaboração do Projeto vencedor do concurso para a nova capital do Brasil.

Ideologicamente comprometido com o ideal comunista, Nyemeier sempre se recusou a trabalhar para a burguesia, dedicando-se a projetos voltados para o poder público.

Assim foi que em 1957, o escritório de Lucio Costa participou do concurso no qual foi vencedor com o projeto de plano piloto que continha em seu Memorial:

“ Ela [a cidade] deve ser concebida, não como simples organismo capaz de preencher, satisfatoriamente, sem esforço as funções vitais próprias de UMA CIDADE MODERNA QUALQUER, não apenas como URBS, mas como CIVITAS, possuidora dos atributos inerentes a uma Capital. E para tanto, a condição primeira é achar-se o urbanista imbuído de UMA CERTA DIGNIDADE E NOBREZA DE INTENÇÃO, porquanto desta atividade fundamental decorrem a ordenação e o senso de conveniência e medida capazes de conferir ao conjunto projetado o desejável caráter monumental. Monumental não no sentido de ostentação, mas no sentido da expressão palpável, por assim dizer, consciente, daquilo que vale e significa. Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de torna-se, com o tempo, além de centro de govêrno e administração, num foco de cultura das mais lúcidas do país.” (Lucio Costa – Memorial do Plano Piloto).

Temos aqui uma declaração de princípios emitida por homens cultos que realizaram um grande monumento – BRASÍLIA – bem no centro da América do Sul, exatamente no limite entre as três maiores bacias hidrográficas do país, em uma simbologia de fonte irradiadora de vida.

Mas, para abordarmos com propriedade a importância e demonstrarmos nossa proposta deste trabalho temos que recuar um pouco no tempo, até o alvorecer da raça humana.

O paraíso existiu. Ficava na África. Antes do deserto do Saara ser um deserto. Sua principal característica era a abundância e o equilíbrio ecológico. Dessa forma, as espécies viviam em harmonia com a natureza. E não precisavam evoluir. Mas, o crescimento populacional gerou forte desequilíbrio ambiental e uma espécie em particular foi precipitada das árvores e obrigada a evoluir. E, expulso do paraíso, o elo perdido teve, a partir daí, de ganhar a vida “com o suor do próprio rosto…”

Santuários da era glacial - em magenta e laranja

O elo perdido sofreu uma mutação eficiente há alguns milhões de anos e este mutante saiu da África iniciando a Diáspora e espalhou-se pelo mundo, evoluindo ao longo dos milênios e ocupando a Europa ao sul do meridiano 45, que corta o norte da Espanha, o Sul da França, o norte da Itália e o Mar Cáspio, pois o mundo passava por uma Idade do Gelo. Estes ocupantes da Europa eram os Neandertais, hominídeos rudes e fortes, vivendo da coleta e da caça.

Mais recentemente, há cerca de 200.000 anos, uma outra mutação do elo perdido caído das árvores do paraíso, o Homo Sapiens, deixou o Leste da África tomando direções distintas. Alguns grupos ficaram perambulando pelo continente, ao sul e a oeste. Outros grupos seguiram para a Europa e Ásia, via Oriente Médio. Um outro grupo, ainda, seguiu pela costa do Oceano Índico e ocupou a Austrália, ramificou-se para o Sudeste da Ásia, a China e prosseguiu pela costa do Oceano Pacífico até chegar à América.

Com a chegada do Homo Sapiens à Europa, os Neandertais, menos aparelhados e menos inteligentes foram pouco a pouco reduzidos em número e acabaram extintos por volta de 30.000 anos atrás. Os recém-chegados eram os Cro-Magnon, hábeis fabricantes de ferramentas, caçadores e coletores.

Uma parte do grupo tinha ficado no Oriente Médio onde descobriram a agricultura no Crescente Fértil, a Mesopotâmia. Esta atividade exigia o conhecimento dos ciclos da natureza. E assim foi que, por necessidade, os agricultores começaram a observar os ciclos da natureza, visando prever a época certa para a semeadura e a colheita. Nascia, assim, a primeira ciência da Humanidade: a Astronomia.

Todas as civilizações estudaram os céus. Evidência indireta de observações astronômicas pode ser vista no posicionamento altamente preciso de antigos documentos, como Stonehenge, por exemplo, onde importantes eventos, como o solstício e o equinócio se alinhariam com certos aspectos da configuração. Antigas civilizações usaram a Lua como dispositivo de contagem de tempo, ajudando a controlar as épocas de plantio, de colheita e, mais importante, o momento de realizar cerimônias religiosas. Os ciclos periódicos da Lua duram cerca de 29 dias e meio, com doze ciclos somando quase um ano inteiro, o que determinou os primeiros calendários. Não é difícil imaginar que ao observar a Lua, os antigos astrônomos não podiam deixar de notar o movimento dos planetas, especialmente Vênus. O primeiro registro direito de observações data de quase 4.000 anos e são escritos em tabletes cuneiformes babilônicos. Após os Babilônios, o surgimento do império Assírio trouxe consigo uma obsessão pela astrologia. Os sacerdotes assírios tentaram encontrar um significado e intenção no movimento dos planetas, do sol e da lua. Eles produziram registros detalhados que se estendiam por muitos séculos, mas não existe prova registrada de que eles tenham tentado entender o projeto físico do universo.

http://www.mira.org/fts0/intro/history/text/txt001x.htm

Mais tarde, grupos destes agricultores migram para a Europa via Bálcãs, transferindo a tecnologia agrícola aos Cro-Magnon e fixando-os à terra, como agricultores. A coesão destes grupos era relativamente frouxa, e a vida tribal girava em torno da mulher. Desenvolveu-se assim, uma sociedade agrícola matriarcal com o culto a deusas, as geradoras da vida.

Ao final da Idade do gelo, por volta de 10.000 b.C., os grupos que ocupavam os refúgios ao longo do paralelo 45 começaram a se expandir em direção ao norte da Europa, chegando até a Escócia, Finlândia e Sibéria. E estes grupos levavam com eles a tecnologia da agricultura, para a qual precisavam dominar o conhecimento dos ciclos climáticos e o calendário era um instrumento de trabalho.

A necessidade de controlar o tempo e prever as estações levou os povos em geral a construir estruturas através das quais pudessem calcular o tempo. Muitos destes observatórios foram encontrados entre diferentes civilizações, e o mais conhecido, estudado e visitado é Stonehenge.

 

Megalitos de Stonehenge

Stonehenge é um monumento megalítico da Idade do Bronze, localizado próximo a Amesbury, no condado de Wiltshire, a cerca de 13 quilômetros a Noroeste de Salisbury, na Inglaterra

Stonehenge é uma estrutura composta, onde se identificam três períodos construtivos distintos:

  • O chamado Período I (c. 3100 a.C.), quando o monumento não passava de uma simples vala circular com 97,54 metros de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira. Cinqüenta e seis furos externos ao seu perímetro continham restos humanos cremados. O círculo estava alinhado com o pôr do Sol do último dia do Inverno, e com as fases da Lua.
  • Durante o chamado Período II (c. 2150 a.C.) deu-se a realocação do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do Verão, e a ereção do círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras azuis, que pesam quatro toneladas, foram transportadas das montanhas de Gales a cerca de 24 quilômetros ao Norte.
  • No chamado Período III (c. 2075 a.C.), as pedras azuis foram derrubadas e pedras de grandes dimensões (megálitos) – ainda no local – foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 metros de altura e pesando cerca de 25 toneladas cada, foram transportadas do Norte por 19 quilômetros. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., aproximadamente sessenta das pedras azuis foram restauradas e erguidas em um círculo interno, com outras dezenove, colocadas em forma ferradura, também dentro do círculo.

Estima-se que essas três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho.

Recolhendo os dados a respeito do movimento de corpos celestiais, as observações de Stonehenge foram usadas para indicar os dias apropriados no ciclo ritual anual. Nesta consideração, é importante mencionar que a estrutura não foi usada somente para determinar o ciclo agrícola, uma vez que nesta região o Solstício de Verão ocorre bem após o começo da estação de crescimento; e o Solstício de inverno bem depois que a colheita é terminada. Desta forma, as teorias atuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem seu uso simultâneo para observações astronômicas e a funções religiosas, sendo improvável que estivesse sendo utilizado após 1100 a.C..

Alinhamento do Sol no Sostício de verão em Stonehenge

A respeito de sua forma e função arquitetônicas, os estudiosos sugeriram que Stonehenge – especialmente seus círculos mais antigos – pretendia ser a réplica de um santuário de pedra, sendo que os de madeira eram mais comuns em épocas Neolíticas.

No dia 21 de Junho, o Sol nasce em perfeita exatidão sob a pedra principal, alinhado com a chamada Heel Stone que fica fora do Círculo principal.

E espalhados pelo mundo, encontramos outros exemplos de observatórios pré-históricos: Ilha de Páscoa, Chichen Itza no México, Hovenweep nos Estados Unidos, Geo Cheng na China, Newgrange na Irlanda, Casa Riconada nos Estados Unidos, Dzabilchaltun no México, Big Horn nos Estados Unidos, Jantar Mantar na Índia, Angkor Vat na Thailandia e muitos outros.

Uma constante nestes monumentos megalíticos são os portais do sol, pelos quais passa a luz do sol no solstício.

 

Puerta del Sol - Tiwanaku

Nascer do Sol em Stonehenge


Edifício do Congresso nacional com duas colunas no centro das quais nasce o sol no solstício.

No caso de Brasília, pela orientação de seu eixo no sentido Oeste-Leste, um observador colocado no centro do Eixo Monumental verá o sol nascer entre as colunas do Edifício do Congresso nacional no Solstício, exatamente como acontecia nos antigos observatórios pré-históricos.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h02
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(...)

A AURORA DA RELIGIÃO

O episódio “Como nasce um Paradigma” é bem conhecido, graças à Internet.  Segundo ele,

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e no topo dela um cacho de bananas. Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e enchiam de pancada. Com mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos macacos por um novo.

A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra ao novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto, e afinal, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas então ficaram com um grupo de cinco macacos que mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Se possível fosse perguntar a algum deles porque eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.

Assim é que nas cavernas geladas, o homem precisava do fogo para aquecê-lo. Inicialmente, o fogo era obtido diretamente de acidentes com raios e incêndios naturais e levado para as cavernas, onde era mantido indefinidamente aceso. Alguém precisava ficar fazendo isso, enquanto o grupo caçava….

Aos poucos o Homem aprendeu a produzir o fogo, mas a esta altura, gerações e gerações tinham se dedicado à manutenção do fogo e a explicação sobre a importância e a necessidade de se manter aceso o fogo tinha-se perdido no tempo, e uma atitude reverencial e supersticiosa passou a ser atribuída à tarefa de manutenção do fogo. Ocorreu a desvinculação entre os dois conceitos, tal como aconteceu no paradigma dos macacos. Estavam criadas as condições para se desenvolver uma religião ligada ao fogo que, subseqüentemente, foi ligada a um deus-sol…  Apolo, Mithra, Jesus Cristo, Buda, etc.

Com o advento das estruturas de cálculo das estações, os observatórios astronômicos, os indivíduos que dominavam o conhecimento da interpretação das relações entre os astros e os marcos terrestres passaram a constituir uma classe especial, sacerdotal, que precisava ser mantida, pois deles dependia o sucesso das colheitas. E o conhecimento passou a ser usado como instrumento de dominação.

Além do aspecto astronômico, tais monumentos também tinham finalidade religiosa, marcando as datas para a realização de cerimônias religiosas, visto que o Homem, a partir de um estágio de abstração mais alto, começa a buscar a causa de todas as coisas.

A questão é que o ferramental lógico, os instrumentos de que dispunha o homem pré-histórico para analisar os fenômenos era muito limitado, ou seja, tudo o que tinha era sua experiência enquanto indivíduo e suas observações empíricas da natureza.

Assim foi que o Homem percebeu que tinha um começo e um fim; que existia somente porque alguém o colocara no mundo; que as plantas renasciam depois de um incêndio, que o sol renascia todos os dias depois de “morrer” ao fim do dia.

Com base nestas noções simples, começou a procurar um criador e a sonhar que também renasceria depois de seu desaparecimento.

Apavorado diante de um mundo perigoso e cheio de fenômenos naturais agressivos, apenas um elo na cadeia alimentar, o Homem primitivo precisava de um protetor para confortá-lo quando estava no fundo de uma caverna gelada, encolhido como um animal, apavorado com o soar de trovões e tempestades furiosas e, inconformado com a brevidade da vida, sonhava que era uma planta e que renasceria depois do inverno, quando o sol novamente brilhasse sobre a natureza morta.

E este passa a ser um elemento atávico do comportamento humano, que dará origem aos mitos solares – a base de todas as religiões.

Pouco a pouco instilou-se no Homem o espírito daninho da religião, que determinaria dali em diante a maioria dos conflitos, per secula seculorum….

Muitas correntes religiosas desenvolveram-se ao longo dos milênios e da evolução da humanidade. Entre elas, surgiu uma corrente que tinha uma crença em um único deus antropomórfico, resultante do mecanismo de projeção de características, comportamentos, inteligência, conceitos e sentimentos humanos sobre uma entidade mítica que teria poder sobre todo o universo.

Esta crença monoteísta foi desenvolvida por um grupo que ficou conhecido como semitas. Estes semitas estavam divididos em semitas do norte, ou hebreus, e semitas do sul, ou árabes. Ambos eram monoteístas, mas a expressão do culto religioso diferiu historicamente.

Não é, todavia, o objetivo deste trabalho abordar especificamente religiões, apenas nos valeremos de um aspecto da religião judaica, as interpretações da relação entre o Homem e a divindade consubstanciada na chamada Árvore da Vida ou Árvore Sefirótica, velho conhecido dos maçons.

A Árvore Sefirótica, ou Árvore da Vida

A árvore da vida é um conceito cabalístico. Ela é formada pelas dez emanações de Ain Soph, chamadas Sephiroth.

Ain Soph (Hebraico אין סוף, literalmente “sem fim”, denotando “sem limites” e/ou “nada“), é um termoa Cabalistico que se refere, em geral, a um estado abstrato da existência que precede a criação do universo limitado por Deus. Este Ain Soph, chamado de, tipicamente e figurativamente “luz de Ain Soph” é a emanação mais fundamental manifestada por Deus. O Ain Soph é a base material da Criação que, quando enfocada, restrita e filtrada através das Sefirots, resulta no universo dinâmico criado.

A essência de todas as Sephiroth é a mesma, mas cada uma possui uma propriedade particular. A essência é universal, o que muda é a emanação de cada Sephirah. Segundo a cabala, a síntese da árvore da vida é Adam Kadmon, o Homem Arquetípico.

Essas emanações se manifestam em quatro diferentes planos, interconectando as dez sephiroth em camadas cada vez mais densas.

As três sephiroth superiores formam um mundo abstrato e representam o estado potencial. As seis sephiroth interiores se agrupam em uma dimensão conhecida por Zeir Anpin, formando o elo entre o abstrato e a matéria. Estão firmemente interconectadas entre si. A última sephirah inferior é a representação do nível material.

No pilar esquerdo da árvore rege o princípio feminino. No pilar direito da árvore rege o princípio masculino. No pilar central da árvore existe a ligação entre os dois princípios.

O topo da árvore representa o bem e a base o mal.

Kether – Coroa

Kether se situa na posição central superior da árvore. É a coroa. É o potencial puro das manifestações que acontecem nas outras dimensões. Representa a própria essência, atemporal e livre. É a gênese de todas as emanações canalizadas pelas outras sephiroth.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h01
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(...)

Chokmah – Sabedoria

Chokmah se situa no topo da coluna direita. É a sabedoria. É o salto quântico da intuição, que deriva as manifestações artísticas. Analogamente, é o lado direito do cérebro, onde flui a criatividade e o mundo das idéias. Possui energia do fogo, associada à masculinidade e também representa o passado. Também representa a fé nos melhores dias para a humanidade.

Binah – Inteligência

Binah se situa no topo da coluna esquerda. É o entendimento. É a lógica que dá definição à inspiração e energia ao movimento. Analogamente, é o lado esquerdo do cérebro, onde funciona a razão, organizando o pensamento em algo concreto. Possui a energia da água associada à femilinidade e também representa o futuro.

Chesed – Misericórdia

Chesed se situa abaixo de Chokmah. É a misericórdia. Representa o desejo de compartilhar incondicionalmente. Representa a vontade de doar tudo de si mesmo e a generosidade sem preconceitos, a extrema compaixão.

Geburah – Julgamento

Geburah se situa abaixo de Binah. É o julgamento. Representa o desejo de contenção e de questionador de impulsos. Canaliza sua energia por meio de objetivos, com o intuito de superar obstáculos e transformar a própria natureza.

Tiphereth – Beleza (Realidade)

Tiphereth se situa abaixo e entre Chesed e Geburah. É a beleza. Junto com Chesed e Geburah forma a tríade superior Maguen David, criando harmonia. Transforma em beleza Chokmah, Binah e Kether. A sabedoria e o entendimento, com a luz do conhecimento. Também é interpretada como Realidade.

Netzach – Vitória

Netzach se situa abaixo de Chesed. É a vitória. Existe a vontade de reciprocidade, a busca pelo próximo e a superação dos próprios limites, propagando o pensamento eterno. Funciona como o princípio fertilizador do espermatozóide masculino.

Hod – Esplendor

Hod se situa abaixo de Geburah. É o esplendor. É um canal de aprimoramento interno, de identificação com próximo, sendo uma forma de aceitação do pensamento, de reconhecimento. Funciona como o princípio receptivo do óvulo feminino.

Yesod – Fundamento

Yesod se situa abaixo e entre Netzach e Hod. É o fundamento. Funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações.

Malkuth – Reino

Malkuth se situa na posição central inferior da árvore. É o reino. Representa o mundo físico, onde é revelado o material compilado das oito emanações. É o canal da manifestação, desejando a recepção das sephiroth. É a distância de Kether que provoca esse desejo, criando a sensação de falta.

Daath – Conhecimento

Daath se situa acima e entre Chokmah e Binah. É o conhecimento. Representa uma falsa sephirah porque não é uma emanação independente como as outras dez. Ela depende de Chokmah e Binah. Também é considerada como a imagem de Tipareth. É o abismo, o caos aleatório do pensamento.

(Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)

Assim é que toda a civilização e a literatura ocidental, cuja base é judaico-cristã, foi afetada por esta cosmovisão, visto que o ocidente é dominado pelas religiões baseadas no monoteísmo judaico.

Plano de Catedral Católica (Luzon)

Esta Árvore da Vida vem influenciando a construção de catedrais e monumentos e, em nosso caso específico, as lojas maçônicas que seguem o diagrama da árvore sefirótica em detalhe, ainda que tenha influências da caverna mithraica em seus primórdios. A semelhança com o Parlamento Britânico também não é coincidência, se considerarmos o nível de influência da árvore da vida na civilização ocidental.

Não é também o objetivo deste trabalho em particular, analisar as relações entre a Árvore da Vida e a arquitetura da loja maçônica, mas uma discrepância notável é a posição do Tesoureiro na Sephirot Misericórdia, que parece ser um contra senso, mas não é bem assim. A posição efetiva que corresponde à Sephirot Misericórdia é o Hospitaleiro, que se senta diante do Tesoureiro.

Depois desta grande volta ao mundo, aonde vimos como os grandes monumentos pré-históricos se inseriam na História, e também vimos um aspecto da religião judaica que muito influenciou nossa cultura, retornamos ao nosso tema central: BRASILIA

Muitos cristãos-novos-judeus – Nereu Ramos, Lucio Costa, Nyemeyer, Burle Marx, Athos Bulcão,  Juscelino – foram necessários para que Brasília, esta maravilhosa obra, se realizasse…

O primeiro traço do projeto foi este: um triângulo eqüilátero posicionado sobre a península, no qual se inscrevia uma cruz rudimentar. Ou seria um arco com uma flecha?

Esboço inicial do projeto

ou

Uma enorme nave espacial ou avião voando no sentido oeste-leste, com seus painéis solares estendidos no sentido norte-sul?

Projeto vencedor do concurso

O corpo da nave espacial ou avião, composto da cabine de comando – a praça dos três poderes – e ao longo do corpo da nave os diferentes dispositivos de controle de navegação, até sua extremidade sul, onde se encontra a antena de comunicação com a sua base…. e a nave voa em direção ao sol, qual novo Ícaro em busca da luz….

Esta já seria uma interpretação bastante simbólica, se levarmos em conta a função do Distrito Federal na estrutura do país.

Mas, temos a manifestação do próprio urbanista, Lucio Costa: “‘Não tem nada de avião! É como se fosse uma borboleta. Jamais foi um avião! Coisa ridícula!”

Sem contar que uma interpretação tão simplista reduziria a genialidade dos criadores do projeto. Lucio Costa e Oscar Nyemeier são pessoas cultas, com exposição a inúmeras influências culturais. Homens do mundo, visitaram Paris, Londres. Viram o Champs Elisées, o Mall londrino, tiveram contato com Le Corbusier e traziam uma bagagem cultural de homens de seu tempo. Niemeyer participara até mesmo do projeto de reconstrução de Berlim…

Nunca é demais repetir as palavras de Lucio Costa no Memorial do Plano Piloto:

“Monumental não no sentido de ostentação, mas no sentido da expressão palpável, por assim dizer, consciente, daquilo que vale e significa. Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de torna-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura das mais lúcidas do país.”

Destacamos ainda as expressões “própria ao devaneio e à especulação intelectual” e “no sentido da expressão palpável, por assim dizer, consciente daquilo que vale e significa”. Isso nos fornece uma indicação do próprio autor, de que algo mais existe sob a primeira camada de percepção da realidade.

Por suas manifestações públicas e tendências ideológicas, sabemos que tanto Lucio Costa quanto Oscar Nyemeyer não foram homens religiosos no sentido estrito da palavra, mas são pessoas formadas por nossa cultura ocidental e estiveram expostos às influências de seu tempo. E enquanto urbanistas e arquitetos é lícito pensar que estudaram as diferentes civilizações e seus monumentos.

A construção de uma cidade já é algo importante, mas a construção da capital de um país, a partir do zero, é algo absolutamente fantástico, principalmente se o projeto é desenvolvido por arquitetos do calibre destes dois.

Mas, retomando a idéia inicial de nosso trabalho, aquela semente plantada pelo Prof. Ignácio naquela longínqua noite nas Arcadas, gostaria de apresentar esta figura:

O Eixo Monumental e a Árvore Sefirótica

Sem qualquer conotação religiosa, poderíamos acrescentar uma nova visão à interpretação do Plano Piloto de Brasília, a do Adam Kaedmon.

A Árvore Sefirótica de Brasilia

Temos assim, entre inúmeras interpretações possíveis, que a praça dos três poderes, em que pese o triângulo que a compõe estar invertido, teríamos Atziluth, ou o mundo das emanações, composto de Coroa, Sabedoria e Inteligência, correspondentes a cada poder da república. Ainda que não exista uma correspondência absoluta entre os conceitos, podemos equiparar Coroa ao Executivo, Inteligência ao Judiciário e Sabedoria ao Senado. Poderíamos equiparar a Câmara a Daath a falsa Sephirath que não é uma emanação independente. Ela depende da Sabedoria e da Inteligência.

Abaixo deste triângulo, temos Beriah, o Mundo das Criações onde se encontram a Justiça, a Misericórdia e a Beleza (também chamada de Realidade em algumas interpretações, como a da figura acima). No Plano Piloto, podemos equiparar a Justiça ao próprio Ministério da Justiça que se encontra exatamente naquela posição da Arvore da Vida. A Misericórdia é representada pelo Itamaraty.

Abaixo de Beriah, temos Yetzirah, outro triângulo formado por Esplendor, Fundamento e Vitória. A correspondência do PP com a árvore no que se refere a Esplendor não é tão direta, mas poderíamos dizer que o setor cultural, onde se coloca o Teatro Nacional com sua forma piramidal , na medida que este promove identificação com o próximo. E a firmeza está na estrutura de poder representada pela Catedral.

Árvore da Vida

Tipheret, ou a beleza seria representada por um enorme chafariz existente diante da Torre de TV.

Fundamento é a compilação das oito emanações e se situa na figura de Adam Kaedmon na região genital e aparece no Eixo Monumental como um pênis ereto representado pela Torre de TV.

Finalmente, temos a última sephirot, Malkut, ou o Reino que seria o mundo sensível e bruto. Temos ali o Quartel General do Exército (império da força) e a Estação Ferroviária que é a ligação do Plano Piloto com o mundo.

Temos assim, completo, o fluxo representado pela linha amarena na árvore da vida, que representa o caminho da emanação desde o mundo físico até a coroa.

Mas, enquanto uma obra aberta, no sentido atribuído por Umberto Eco, Brasília se presta a incontáveis interpretações, como, por exemplo, a concebeu um artista deslumbrado, Uma mariposa com as asas abertas e sua antena, repetindo, de certa forma o mesmo conceito antropomórfico da cidade, com a diferença que a posição foi invertida e, com isso, mudando a concepção de árvore da vida. Neste caso, a figura tem os pés pousados na Praça dos Três Poderes, um pé no Palácio do Planalto, outro pé no supremo, e o Congresso nacional em suas genitais, um útero criador de novas realidades, sob a forma de leis.

Concluindo, muitas interpretações existem, mas fica disso tudo a idéia de que se Brasília tivesse sido construída há dois ou três milênios, hoje ela estaria sendo interpretada e equiparada a qualquer um dos grandes monumentos antigos, e muito seria escrito sobre suas ruínas.

Desde sua localização nas nascentes de três bacias hidrográficas, em sua posição central no país, sua orientação geográfica, seu plano urbanístico e sua forma vista do espaço, tudo levaria à confirmação da idéia visionária e poética vislumbrada naquela noite nas Arcadas pelo Professor Inácio.

Mas, fiéis às nossas raízes, poderíamos imaginar o plano piloto como um anjo Macunaíma, preguiçosamente deitado no meio do planalto, apreciando o céu do hemisfério sul, com suas asas relaxadas contemplando o céu do Planalto Central….

O Anjo Macunaíma

 

Escrito por Renivaldo Costa .. às 16h00
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14/05/2013


Manifestação de um Maçom na Imprensa Brasileira.

Donald Malschitzky é um Maçom. Embora retirado da ordem, continua a sê-lo. Por razões que desconheço, publicou um muito apropriado artigo no Jornal Tribuna Catarinense, no qual expõe algumas das feridas que afligem à Ordem e esclarece, como luz que vem do Oriente, questões delicadas. Tudo de uma forma simples, objetiva, verdadeira e conclusiva.

 

Maçonaria

Por Donald Malschitzky
Tribuna Catarinense

 

Durante anos, em conversas, tenho defendido e elogiado a Maçonaria, sem qualquer interesse maior do que esclarecer, pois, para atacar, sem eira nem beira, sem qualquer conhecimento maior do que as pseudo-informações tendenciosas, sempre há muita gente. Pode-se pensar que a imprensa não é o lugar mais discreto para defender a Ordem, mas certamente é o mais eficaz, afinal, os ataques são públicos e mais do que notórios; a defesa também precisa sê-lo.

Uma definição bem objetiva do que a Ordem Maçônica é, para que qualquer leigo entenda: uma escola filosófica que congrega homens de bons princípios, destinada a empreender esforços para o bem da humanidade, desenvolvendo a tolerância racial, religiosa e social e cultuando o direito, a justiça e a verdade.

Para isso seus membros se dedicam ao estudo, à troca de idéias, à convivência e fraternidade e a praticar a caridade, seja individual, seja coletivamente. Se é isso, por que se vê tão pouco o que a Maçonaria, como instituição, faz de caridade? "Que tua mão esquerda não saiba o que a direita faz" (em termos de caridade) explica isso.

É uma religião? Não, não é, mas congrega pessoas crentes em Deus (condição para ser aceito) das mais diversas religiões. Conheço maçons católicos (inclusive alguns ex-padres), luteranos (inclusive um pastor), batistas, presbiterianos, judeus, muçulmanos, budistas, espíritas etc., e isso só engrandece a instituição e as pessoas

E o que tem com o Diabo? Nada, absolutamente nada, ao contrário de muitas organizações que se dizem salvadoras da alma que grassam por aí. Essas, sim, prestam grande favor ao Diabo. Embora seja uma organização de pessoas que crêem em Deus, nenhum fanatismo é permitido. É uma vivência ecumênica real, com todo respeito que é necessário para que isso aconteça. Na grande maioria dos templos (locais de reunião) no mundo, há uma Bíblia em local de destaque, simbolizando a presença de Deus. Participei de uma loja em Brasília, fundada por muçulmanos, que durante anos mantinha uma Bíblia e um Alcorão.

E os segredos e rituais? Nada de especial, nada que outras organizações não tenham, com suas roupagens próprias. Como é uma instituição relativamente antiga e tradicional, os rituais também o são, sendo destinados a promover a reflexão.

E por que tanto ataque à Maçonaria? Maldade de corações, obscurantismo religioso (quem combate o obscurantismo é sempre perseguido), mentiras ignóbeis talvez expliquem algo. Escritores mal intencionados, vendidos, sem escrúpulos e mentirosos, explicam o restante.

Fui membro da Ordem durante mais de 20 anos e estou afastado por uns quatro (viu como não matam quem sai?), mas meu coração e, principalmente, minha gratidão permanecem inalterados. Nos piores momentos de minha vida tive, nos irmãos maçons, talvez as maiores provas de solidariedade que já vi. E nos melhores, também.

Escrito por Renivaldo Costa .. às 19h35
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És Maçom? (uma fábula)

Contribuição enviada pelo Ir.'. Carlos A. Guimarães



Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui? O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim, contudo, não tinha coragem de abordá-las.

Mas espere, que grupo seria aquele reunido e de terno preto?

Lógico! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório de roupa preta. É claro! São Irmãos!.

Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa.

Discretamente executei o S.’. de A.’., obtendo resposta.

A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos.

Identifiquei-me. perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado.

Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?

- Estão bem, não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado, indaguei do motivo de suas vestes.

Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico – foi a resposta.

- Templo Maçônico? Vocês têm um?

- Sim, claro. Por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal sou um Grande Inspetor Geral e com certeza receberei as honras devidas ao meu Gr.’..

Pedi para acompanhá-los, no que fui atendido.

Ao fim da pequena caminhada divisei o Templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme.

As colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei grupos de Irmãos conversando animadamente, porem em tom respeitoso.

O que parecia o líder do grupo, que me acompanhava, chamou um Irmão que estava adiante:

- Irmão Exp.’.! Acompanhai o Irmão recém chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem, afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para um Gr.’. 33 não poderia se esperar nada diferente.

Verifiquei que os Irmãos formavam o cortejo para entrada no Templo. À distância não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

De tanta emoção não conseguia dizer nada. O tempo passou... Não pude medir quanto.

A porta do Templo se entreabriu e o Irmão M.’. de CCer.’., encaminhando-se a mim, comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas não estavam desleixadas e caminhei com ele.

Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância? Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo.

Estranho... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza.

Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande.

Uma luz brilhante, vindo não sei de onde, iluminava o ambiente.

Cumprimentei o V.’. M.’. e os VVig.’. na forma usual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados, respeitosos.

Não sabia o que fazer. Aguardava ordens ... e elas vieram na voz firme do V.’. M.’., que, na forma de costume, me perguntou se eu sou maçom.

Reconhecendo a necessidade de tal formalidade em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo e o fiz, também pela forma de costume.

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.’. M.’. dirigindo-se aos presentes, perguntou:

- Os IIr.’., aqui presentes, o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta?

O silêncio foi total.

Dirigindo-se a mim, o V.’. emendou:

- Meu caro Ir.’. visitante, os IIr.’. aqui presentes não o reconhecem como Maçom.

- Como não?! Disse eu. Não vêm as minhas insígnias? Não verificaram os meus documentos?

Sim, caro Ir.’., retrucou solenemente o V.’. M.’.. Contudo, não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas ou insígnias para ser um Maçom. É preciso, antes de tudo, ter construído o “seu Templo” e verificamos que tal não ocorreu com o Ir.’.. Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao mais alto dos GGr.’., não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

Não pude agüentar. Retruquei:

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem não observaram minhas atitudes fraternas?

Fui interrompido.

- IIr.’., vejamos então sua defesa...

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e, na imagem, reconheci-me junto a um grupo de IIr.’. tecendo comentários desairosos contra a administração de minha Loja. Era verdade.

Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos. Lembrei-me, então, de minhas ações beneficentes. Indaguei-os sobre tal.

E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tr.’. de B.’.. Era fato e, costumeiramente, o fazia, por achar que o óbolo não seria bem usado...

Por não ter o que argumentar; calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me nos olhos. Iniciei a retirar-me, cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e, ao mesmo tempo, fraterna do V.’..

- Meu Ir.’., reconhecemos suas falhas quando no orbe terrestre e na Maçonaria. Contudo, reconhecemos, também, que o Ir.’. foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos, em suas iniciações, protegê-lo, e o faremos. O Ir.’. terá a oportunidade de consertar seus erros. Afinal, todos nós aqui presentes já os cometemos um dia. Descanse neste plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria, para novas experiências, nós o encaminharemos para a Ordem Maçônica. Sua nova caminhada, com certeza, será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado.

Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza, ali eu desbastara um pedaço de minha P.’. B.’..

Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração, disparado. Levantei-me assustado, mas com certa alegria no peito. Havia sonhado!!

Dirigi-me ao guarda-roupas. Meu terno ali estava.

Instintivamente retirei do paletó as medalhas e insígnias e as guardei em uma caixa.
Ainda emocionado, e com os olhos molhados de lágrimas, dirigi-me à minha mesa e com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria enleante, retirei o Ritual de Ap.’. Maç.’..

Escrito por Renivaldo Costa .. às 19h32
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Texto de Fernando Pessoa sobre a Maçônaria !

Este é um trecho do artigo que Fernando Pessoa publicou no Diário de Lisboa, no 4.388 de 4 de fevereiro de 1935, contra o projeto de lei, do deputado José Cabral, proibindo o funcionamento das associações secretas, sejam quais forem os seus fins e organização.

A Maçonaria compõe-se de três elementos: o elemento iniciático, pelo qual é secreta; o elemento fraternal; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente.

Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito maçônico, a Ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, a Maçonaria – como aliás qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade de Maçons individuais, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa.

Neste terceiro ponto de vista, toda a Maçonaria gira, porém, em torno de uma só idéia – a "tolerância"; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Por isso a Maçonaria não tem uma doutrina. Tudo quanto se chama "doutrina maçônica" são opiniões individuais de Maçons, quer sobre a Ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas: vão desde o panteísmo naturalista de Oswald Wirth até ao misticismo cristão de Arthur Edward Waite, ambos tentando converter em doutrina o espírito da Ordem. As suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a Maçonaria nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos Antimaçons consiste em tentar definir o espírito maçônico em geral pelas afirmações de Maçons particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

O segundo erro dos Antimaçons consiste em não querer ver que a Maçonaria, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afetam a Maçonaria como afetam toda a gente. A sua ação social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da Maçonaria em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a Maçonaria não criou.

Resulta de tudo isto que todas as campanhas antimaçônicas – baseadas nesta dupla confusão do particular com o geral e do ocasional com o permanente – estão absolutamente erradas, e que nada até hoje se provou em desabono da Maçonaria. Por esse critério – o de avaliar uma instituição pelos seus atos ocasionais porventura infelizes, ou um homem por seus lapsos ou erros ocasionais – que haveria neste mundo senão abominação? Quer o Sr. José Cabral que se avaliem os papas por Rodrigo Bórgia, assassino e incestuoso? Quer que se considere a Igreja de Roma perfeitamente definida em seu íntimo espírito pelas torturas dos Inquisidores (provenientes de um uso profano do tempo) ou pelos massacres dos albigenses e dos piemonteses? E contudo com muito mais razão se o poderia fazer, pois essas crueldades foram feitas com ordem ou com consentimento dos papas, obrigando assim, espiritualmente, a Igreja inteira.

Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria em geral todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos, por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século dezoito – quando expulsos de toda a parte, os repudiava o próprio Papa – pelo Maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois que Wellinton e Blucher eram ambos Maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base onde veio a assentar a futura vitória dos Aliados – a "Entente Cordiale", obra do Maçom Eduardo VII. Nem esqueçamos, finalmente, que devemos à Maçonaria a maior obra da literatura moderna – o "Fausto" do Maçom Goeth.

Acabei de vez. Deixe o Sr. José Cabral a Maçonaria aos Maçons e aos que, embora o não sejam, viram, ainda que noutro Templo, a mesma Luz. Deixe a Antimaçonaria àqueles Antimaçons que são os legítimos descendentes intelectuais do célebre pregador que descobriu que Herodes e Pilatos eram Vigilantes de uma Loja de Jerusalém.

Fernando Pessoa

Escrito por Renivaldo Costa .. às 19h30
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Queres Segredos da Maçonaria?

Então leia o que Fernando Pessoa, um dos maiores poetas da história da língua portuguesa, escreveu sobre o Segredo Maçônico.



Pedras Evoluídas

O Sol nasce e ilumina as pedras evoluídas,
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas.
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas,
Não importa se são ruins, nem importa se são boas.

Chico Science, cantor pernambucano falecido em 1997. (Uma pedra “evoluída”?)

Escrito por Renivaldo Costa .. às 19h29
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08/02/2013


Autoridades Maçônicas Mundialmente Conhecidas

George Washington - 1º Presidente dos Estados Unidos (1789-1797)

James Monroe - 5º Presidente dos Estados Unidos (1817-1825)

Andrew Jackson - 7º Presidente dos Estados Unidos (1829-1837)

James Knox Polk - 11º Presidente dos Estados Unidos (1845-1849)

James Buchanan - 15º Presidente dos Estados Unidos (1857-1861)

Abraham Lincoln - 16º Presidente dos Estados Unidos (1861-1865)

Andrew Johnson - 17º Presidente dos Estados Unidos (1865-1869)

James A. Garfield - 20º Presidente dos Estados Unidos (1881-1881)

William McKinley - 25º Presidente dos Estados Unidos (1897-1901)

Theodore Roosevelt - 26º Presidente dos Estados Unidos (1901-1909)

Warren G. Harding - 29º Presidente dos Estados Unidos (1921-1923)

Franklin D. Roosevelt - 32º Presidente dos Estados Unidos (1933-1945)

Harry S. Truman - 33º Presidente dos Estados Unidos (1945-1953)

Gerald R. Ford - 38º Presidente dos Estados Unidos (1974-1977)

Sir John J.C. Abbott - Primeiro Ministro do Canadá (1891-1892)

Sir Mackenzie Bowell - Primeiro Ministro do Canadá (1894-1896)

Sir John A. MacDonald - Primeiro Ministro do Canadá (1867-73 e 1878-91)

Sir Robert L. Borden - Primeiro Ministro do Canadá (1911-1920)

Viscount R.B.Bennett - Primeiro Ministro do Canadá (1930-1935)

John G. Diefenbaker - Primeiro Ministro do Canadá (1957-1963)

Escrito por Renivaldo Costa .. às 17h02
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Grandes Feitos Maçônicos

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

PROCLAMAÇÃO DA REPUBLICA DO BRASIL

LIBERTAÇÃO DOS ESCRAVOS

INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

REVOLUÇÃO FRANCESA

REVOLUÇÃO BOLIVARIANA

Escrito por Renivaldo Costa .. às 17h00
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06/02/2013


Maçons Famosos

Benjamin Franklin - Um dos líderes da Revolução Americana,
conhecido também por suas experiências com a Eletricidade


Edwin E. Aldrin - Astronauta, 2º Homem a Pisar na Lua


Neil Armstrong - Astronauta, 1º Homem a Pisar na Lua

Virgil Grissom - Astronauta, 2º Norte-Americano a ir ao Espaço

Edward VII - Rei da Inglaterra (1901-1910)

George VI - Rei da Inglaterra (1936-1952)

Andre Citroen - Fundador da Citroen

Henry Ford - Fundador da Ford Motors

Walter P. Chrysler - Fundador da Chrysler

Louis Armstrong - Lenda do Jazz

Johann Christian “Bach” - Grande Músico e Compositor

Wolfgang Amadeus “Mozart” - Grande Músico e Compositor

Charles Chaplin - Famoso Ator

Clark Gable - Grande Ator

Escrito por Renivaldo Costa .. às 17h20
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John Wayne - Grande Ator

Harry Houdini - Maior Mágico do Mundo

Walt Disney - Co-Fundador da Walt Disney Company
e Fundador da DisneyWorld


Jack Warner - Fundador da Warner Brothers

Darryl F. Zanuck - Co-Fundador da 20th Century Productions (1933)

Samuel Colt - Inventor da Arma de Fogo

John Fitch - Inventor do Barco a Vapor

Sir Alexander Fleming - Inventor da Penicilina

Antoine Joseph Sax - Inventor do Saxofone (1846)

Jean Henri Dunant - Fundador da Cruz Vermelha

Dave Thomas - Fundador do Wendy’s Restaurant

Frederic A. Bartholdi - Projetista da Estatua da Liberdade

Gutzon e Lincoln Borglum - Pai e Filho
Responsaveis pela Construção do Monte Rushmore


George Marshall - General dos Estados Unidos da América
Combatente na Primeira e na Segunda Guerra Mundial e
Autor do Plano Marshall, de Ajuda à Reconstrução
da Europa Devastada Após a Guerra de 1939-1945


Cornelius Hedges - Pai do Parque Nacional de Yellowstone

John Edgar Hoover - 1º Diretor do FBI

William Shakespeare - Famoso Escritor

Carlo Collodi - Escritor de Pinóquio

Sir Arthur Conan Doyle - Escritor de Sherlock Holmes

Escrito por Renivaldo Costa .. às 17h19
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Histórico